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Brizola Camargo apresenta:

Corpo Estranho: Anatomia do Atrito

Exposição individual de

Leo Brizola em São Paulo.

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Reunindo um conjunto de obras inéditas, a exposição dá continuidade à investigação do artista sobre os processos de transformação da matéria e do corpo, propondo o atrito como uma força geradora de formas, imagens e significados.

 

Em Corpo Estranho: Anatomia do Atrito, Leo Brizola parte da ideia de que toda transformação nasce da fricção. O título faz referência ao conceito médico de "corpo estranho", utilizado para designar qualquer elemento que, ao penetrar um organismo, desencadeia uma resposta de adaptação, defesa ou mudança.

Distanciando-se de uma leitura clínica, o artista desloca essa noção para o campo simbólico, compreendendo o estranho como aquilo que interrompe a estabilidade e inaugura novas possibilidades de existência.

Ao longo da exposição, pintura, desenho e escultura articulam um repertório visual em que referências da mitologia clássica, da história da arte, da iconografia religiosa e da cultura brasileira são continuamente revisitadas. Figuras femininas, serpentes, pérolas, ornamentos e fragmentos do corpo surgem como imagens recorrentes, estabelecendo relações entre beleza e violência, desejo e vulnerabilidade, permanência e transformação.

A pérola ocupa um lugar central nessa investigação. Formada a partir da reação de um organismo à presença de um elemento invasor, ela torna-se uma metáfora para um dos eixos conceituais da exposição: a ideia de que a beleza não existe apesar do atrito, mas é produzida por ele. A fricção deixa de representar apenas conflito para afirmar-se como potência criativa, capaz de transformar matéria, memória e identidade.

As obras apresentadas recusam uma narrativa linear. Molduras expandem-se para além de sua função convencional, suportes tornam-se parte da imagem e diferentes materialidades convivem em um mesmo campo visual, dissolvendo as fronteiras entre pintura e objeto. Cada trabalho parece existir em um estado de transição, preservando as marcas do processo e sugerindo que toda forma permanece aberta à possibilidade de novas transformações.

 

Mais do que organizar um conjunto de obras em torno de um tema, Corpo Estranho: Anatomia do Atrito propõe uma experiência de aproximação com aquilo que desestabiliza, atravessa e transforma. Ao percorrer a exposição, o visitante é convidado a reconhecer o atrito não como uma condição excepcional, mas como um princípio constitutivo da experiência humana.

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